E aí galera, aqui é o Victor e hoje vou lhes trazer um artigo sobre um assunto que veio à tona com esse YCS-São Paulo que contou com um top 4 FULL KOZMO! Primeiramente, gostaria de dizer que o conteúdo desse post é baseado na minha opinião como jogador, ou seja, tudo irá partir do meu ponto de vista em relação ao jogo.
Recentemente, com a predominância do Kozmo no top do YCS – São Paulo, começou a surgir em diversas comunidades o assunto “Estaria o jogo se tornando pay-to-win?”, devido aos preços exorbitantes das cartas desse deck e sua taxa assustadora de vitórias nesse último final de semana. Para aqueles que não estão familiarizados com o termo, pay-to-win está relacionado a um estado onde aquele que gasta mais dinheiro num jogo por exemplo, tende a ganhar quase sempre, tornando a habilidade necessária para o jogo ridiculamente menor. Muitos estão pensando que ao gastar quilos de dinheiro num deck Kozmo (literalmente xD) você automaticamente obterá sucesso num grande torneio por exemplo. Porém não é bem assim que a banda toca meu amigo, apesar do deck ser um dos melhores do formato, primeiramente ele não é invencível, nem ao menos tier 0, como foram Dragon Ruler nerfado e o Tele-dad, e também a habilidade necessária na maioria das vezes não é para usar um deck X, e sim para jogar o jogo cometendo o mínimo de erros possíveis independente do deck que esteja sendo utilizado. Claro que existe uma grande diferença na quantidade de habilidade para se “pilotar” um shaddoll do que para jogar com um fire fist, mas a habilidade de saber jogar o jogo em si acaba pesando muito mais na maioria das partidas.
O fator tomada de decisão e experiência no jogo
O que eu quero dizer com saber jogar o jogo em si? Bem, podemos começas com fatores básicos, como no começo de cada turno checar quantas e quais cartas existem no campo, cemitério, mão e recentemente extra deck virado para cima, dos dois jogadores, não setar cartas antes de jogar um monstro ou atacar (claro que há exceções), até princípios mais avançados como fazer a leitura de cartas que possam estar na mão do oponente pelo seu jeito de jogar ou jogar em volta de uma carta X que parece existir na possibilidade após uma boa leitura do oponente.
Por que eu usei o exemplo do shaddoll e do fire fist? Simples, esses são 2 decks dos quais eu tenho bastante experiência e te garanto apesar de parecer fácil escolher entre buscar um Fire fist – Bear ou um Coach soldir wolfbark com uma Fire formation- tenki, você tem muito mais a perder escolhendo errado do que você usar os materiais errados para uma fusão, dentre outras coisas. Lembrem que toda regra tem uma exceção e que no yugioh também não seria diferente, só estou relatando o que ocorre na maioria das vezes.
Não é como se você colocasse um kozmo na mão de alguém que joga a um mês que ele vai sair “destruindo” players experientes. Suponhamos que ele comece com uma mão de Kozmo Goodwitch e Kozmo Dark Destroyer, um iniciante iria usar a goodwitch para invocar o destroyer e passar enquanto que a melhor jogada era invocar a goodwitch e esperar para poder usar o destroyer como uma trap e destruir um monstro do oponente no turno dele.
Atualmente eu tenho diminuído um pouco meu tempo de jogo, porque comecei a jogar o Hearthstone e ao ler vários artigos sobre o jogo me deparei com um bem familiar ao nosso mundo criado pelo Kazuki, o que faz a grande diferença entre um bom jogador e um excelente jogador são os detalhes, e isso não é algo que se possa conseguir apenas com dinheiro.
A questão do jogo antigamente
Ouvi muito o seguinte argumento: “Era bom antigamente quando você não precisava usar o dinheiro para topar, quando era necessária muito mais habilidade para jogar”. Se vocês pensam que antigamente o jogo era mais barato e o consequentemente o meta também, vocês estão muito enganados. Um Dark Armed Dragon era praticamente o mesmo valor de um Dark Destroyer, a diferença é que antigamente isso pesava muito mais no bolso, pois se agora um salário mínimo é de R$ 788,00, antes era R$415,00. Nos últimos 2 anos, ocorreu um dos períodos mais baratos para se jogar desde o começo do jogo.
Repetitividade do meta
Muitas pessoas reclamam do meta ser repetitivo, infelizmente o yugioh sofre muito por causa dessa “falta de originalidade” que é criticada por muitos, mas essas pessoas não se dão conta que o ser humano é assim, ele tende a procurar o que é melhor para poder competir, em qualquer jogo é assim. Muita gente reclama de “netdeckear”, que é quando um jogador monta seu deck copiando a lista de um jogador de sucesso, pois falta “originalidade” no seu deck, porém quando as pessoas estão começando em um jogo, é melhor que comecem usando algo que funciona do que quebrar a cabeça e jogar com um deck “torto” e original. Isso é natural, e com o passar do tempo quando aquele jogador for aprendendo sobre o jogo ele vai ter suas próprias ideias, mas no começo ter uma boa base é o ideal.
A constante mutação do meta
Como o meta sofre mutação se ele é repetitivo? Simples de responder, o meta sempre está em mudança, o que se repetem são as tendências. Não entendeu? Vou exemplificar para melhorar a compreensão. Suponhamos que o kozmo era o melhor deck para se jogar nesse YCS, no próximo torneio por causa dos resultados obtidos recentemente aparecerão diversos kozmos mas pode ser que um madolche ou um satellar ganhe o próximo campeonato pois eles tem algumas interações que lidam bem com cartas do kozmo. O que irá acontecer? No próximo torneio terão muitos madolches ou satellars e então um hero ou um majespecter vão ganhar o torneio. Esse ciclo geralmente não termina.
Outra ideia que ajuda a refutar o pay-to-win no yugioh é que o jogo varia muito entre um torneio e outro, nas últimas semanas a maioria dos tops de campeonatos europeus por exemplo apresentou muito mais Majespecter do que Kozmo, já no YCS desse final de semana tivemos predominância de Kozmo, semana que vem pode ser que em algum torneio isso se alterne. Ou não! A questão é que o jogo está sempre em completa mudança e existem diversos fatores que colocam um deck no top, não somente ele ser mais caro ou aquele com maior hype.
Um pouco mais do fator jogador
Mas vamos supor que o Kozmo seja o melhor deck incapaz de ser vencido por outros, ainda assim restaria a mirror match e na mirror match na maioria das vezes vai ganhar o melhor jogador e não aquele que investiu mais.
Ainda não se convenceu? Não tem problema, vamos pegar a situação de alguém que jogue com um deck de kozmo emprestado e vença ou “tope” em um torneio grande, tudo o que ele fez foi usar o dinheiro e ganhar um troféu? Absolutamente não. Ele treinou para isso, batalhou por isso, algo que só se consegue depois de muito esforço e trabalho duro.
Se você chegou até aqui e ainda não concorda, lembre-se que tudo que está contido nesse artigo é relacionado ao jogo competitivo, onde o objetivo é vencer. A diversão que você tanto gosta, também está presente nos outros jogadores, porém cada um se diverte de uma forma, alguns vencendo e outros jogando com seus decks preferidos.
Antes de finalizar gostaria de parabenizar toda a equipe de Goiânia que foi nos representar no YCS, principalmente ao Caio Médici, o melhor coloca dentre esse pessoal (TOP 32 – Yang Zing), infelizmente não foi dessa vez que o feito do CHsapo se repetiu, mas sempre tem o ano que vem. Espero que o artigo tenha feito vocês refletirem sobre o jogo e que tenham gostado, compartilhem com os amigos, fiquem de olho no blog e no canal do Youtube pois a grande final da Liga Goiana está chegando (12/12 e 13/12) e até a próxima!
